sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tipos de contra-ataque



Meu técnico costuma dizer que no Brasil os floretistas não costumam preparar um contra-ataque com consciência. O contra-ataque vem quase que instintivo, quando se percebe algum erro do adversário.

Conversa para cá, conversa para lá, começamos a listar os diferentes tipos de contra-ataque:

Pensado- Este é o contra-ataque que o Tex costuma dizer que é raro no Brasil. Aqui, o indivíduo mexeu as pernas, fez de conta que ia sair para trás alucinado, provocou o erro do adversário e contra-atacou. A chance de ver só a tua luz acesa no aparelho é muito maior.

Cansado- Você está jogando contra aquele cara que é um animal de perna. De repente, começa um rali. Você ataca, ele para e responde, você para e contra-responde e assim por diante. As ações são cada vez mais rápidas e exaustivas. O coração já está quase saindo pela boca quando o desgraçado defende mais uma tentativa sua e sai feito um alucinado na perseguição. Seu corpo, em um pedido de misericórdia, contra-ataca para acabar com o sofrimento. Geralmente, a chance de tocar é mínima.

Lesionado- Um exemplo claro desse contra-ataque aconteceu com um adversário meu recentemente. Eu estava ganhando por 4 a 3 contra um cara forte que tinha recém machucado as costas. Na ação anterior, toquei em um ataque no qual ele tentou esquivar, mas não percebi que tinha sido para evitar uma ação mais longa. Por isso, decidi que ia chamá-lo para parar e responder. Ainda bem que meus companheiros de clube, no fundo da pista, acenaram desesperadamente indicando para que eu partisse para cima (ato completamente ilegal, por sinal). Atendendo aos apelos frenéticos, me joguei à frente e fui premiado com mais um contra-ataque de meu descontado adversário. Assim como no contra-ataque cansado, esse tipo de ação tem pouquíssima chance de sucesso.

Por cacoete- Disparado, o tipo de contra-ataque mais irritante que existe. Você já contra-atacou zilhões de vezes durante o combate e tomou a maioria dos pontos. Mas basta a menção de uma puxada de braço do adversário para que você fique hipnotizado, como uma criança que vê seu doce preferido, pela superfície válida do indivíduo. Antes de entrar em guarda, você pensa mais uma vez: "não posso mais contra-atacar", pensamento que, na maioria das vezes, é totalmente inútil.

Foto: www.boston.com

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