Engraçado que uma pessoa que parece tão firme em suas posições como Mário Sérgio parece mudar de opinião a cada rodada quando se trata da montagem da equipe.
Ainda estou esperando o técnico do Inter repetir uma escalação ou até mesmo um sistema tático desde que ele chegou.
Com Tite, ao menos o Inter tinha identidade, apesar da péssima fase que a equipe se encontrava quando ele foi demitido...
terça-feira, 10 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Segunda intenção
Muitas vezes, quando enfrentamos alguém que se sente confortável no fundo da pista e estamos em desvantagem no placar, não sabemos como atacar o adversário com eficiência.
O problema é que é comum pensarmos nas mais diversas maneiras de se tocar em ataque, quando o fato de nosso oponente estar no fundo da pista não impede que nossos toques sejam feitos em outros tipos de ações.
Vejam o exemplo do vídeo abaixo, que mostra os pontos decisivos da final do Challenge Paris de florete masculino deste ano, entre Richard Kruse, da Inglaterra (esquerda) e Petr Joppich, da Alemanha (direita):
Kruse pressiona seu adversário e faz ataques falsos, de segunda intenção. A princípio, sua ideia parece ser a de fazer a reprise de ataque logo após a parada de Joppich, aproveitando que o alemão costuma iniciar a ação com o braço recolhido. O primeiro ponto que aparece no vídeo é assim.
Logo depois, Joppich não deixa seu adversário o levar para o fundo da pista e ataca sobre a marcha de Kruse, que está preparado e arresta com maestria.
Mais adiante, Kruse mostra que está pressionando sem a intenção de tocar em ataque, quando fica em uma distância curta e espera o alemão sair para contra-atacar. Neste ponto, a estratégia falha, já que Joppich só não consegue o toque por ter errado a ponta e acertado na superfície não-válida.
As tentativas de segunda intenção de Kruse finalmente são notadas por Joppich no primeiro ponto do alemão que aparece neste vídeo, no qual ele para o ataque, espera o inglês fazer a reprise de ataque para parar mais uma vez e só depois responder.
Kruse perdeu o combate, mas mostrou que nem sempre a melhor estratégia para quem encurrala o adversário no fundo da pista é tocar de ataque.
O problema é que é comum pensarmos nas mais diversas maneiras de se tocar em ataque, quando o fato de nosso oponente estar no fundo da pista não impede que nossos toques sejam feitos em outros tipos de ações.
Vejam o exemplo do vídeo abaixo, que mostra os pontos decisivos da final do Challenge Paris de florete masculino deste ano, entre Richard Kruse, da Inglaterra (esquerda) e Petr Joppich, da Alemanha (direita):
Kruse pressiona seu adversário e faz ataques falsos, de segunda intenção. A princípio, sua ideia parece ser a de fazer a reprise de ataque logo após a parada de Joppich, aproveitando que o alemão costuma iniciar a ação com o braço recolhido. O primeiro ponto que aparece no vídeo é assim.
Logo depois, Joppich não deixa seu adversário o levar para o fundo da pista e ataca sobre a marcha de Kruse, que está preparado e arresta com maestria.
Mais adiante, Kruse mostra que está pressionando sem a intenção de tocar em ataque, quando fica em uma distância curta e espera o alemão sair para contra-atacar. Neste ponto, a estratégia falha, já que Joppich só não consegue o toque por ter errado a ponta e acertado na superfície não-válida.
As tentativas de segunda intenção de Kruse finalmente são notadas por Joppich no primeiro ponto do alemão que aparece neste vídeo, no qual ele para o ataque, espera o inglês fazer a reprise de ataque para parar mais uma vez e só depois responder.
Kruse perdeu o combate, mas mostrou que nem sempre a melhor estratégia para quem encurrala o adversário no fundo da pista é tocar de ataque.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Três dentro, três fora
Quem teve infância certamente já presenciou a cena. Você não conseguiu juntar gente suficiente para bater uma bolinha e a solução foi aliciar os poucos soldados que se apresentaram para a batalha em um jogo de três dentro, três fora, aquele em que o gol só vale quando a bola for chutada no ar.
Posso até imaginar Mário Sérgio na preleção do jogo contra o Botafogo instruindo seus atletas a lembrarem da infância e reproduzirem o três dentro, três fora, mesmo que no gramado do Beira-Rio a quantidade de jogadores fosse mais do que suficiente para rolar a bola no chão.
O Inter parece ter achado que só gol de bola aérea valia. Dizem que o Mário Sérgio está reclamando até agora do gol do Botafogo. Foi "gol bobo".
Posso até imaginar Mário Sérgio na preleção do jogo contra o Botafogo instruindo seus atletas a lembrarem da infância e reproduzirem o três dentro, três fora, mesmo que no gramado do Beira-Rio a quantidade de jogadores fosse mais do que suficiente para rolar a bola no chão.
O Inter parece ter achado que só gol de bola aérea valia. Dizem que o Mário Sérgio está reclamando até agora do gol do Botafogo. Foi "gol bobo".
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O camaleão Mário Sérgio
O PVC costuma dizer que o Mário Sérgio, durante toda a sua carreira, sempre cometeu o erro de se preocupar demais com o adversário. O resultado é que ele monta o time para anular os pontos fortes da outra equipe e não se preocupa em dar um padrão de jogo definido para os seus comandados...
No Inter, o treinador trocou de esquema diversas vezes nos poucos jogos em que comandou a equipe. A primeira repetição de sistema foi do segundo tempo do Gre-Nal para o jogo contra o São Paulo, quando Mário insistiu no 4-1-4-1. De qualquer maneira, a postura colorada, mesmo que o time tenha jogado bem, foi de primeiro anular o oponente para depois jogar. Isso só mudou no segundo tempo com a adversidade no placar.
A característica de Mário Sérgio é boa para o tiro curto, com o seu time capaz de neutralizar as forças dos adversários, mas talvez explique porque o treinador ainda não conseguiu sucesso em longos períodos. Uma equipe que muda a toda hora para se adaptar ao adversário acaba sem identidade...
No Inter, o treinador trocou de esquema diversas vezes nos poucos jogos em que comandou a equipe. A primeira repetição de sistema foi do segundo tempo do Gre-Nal para o jogo contra o São Paulo, quando Mário insistiu no 4-1-4-1. De qualquer maneira, a postura colorada, mesmo que o time tenha jogado bem, foi de primeiro anular o oponente para depois jogar. Isso só mudou no segundo tempo com a adversidade no placar.
A característica de Mário Sérgio é boa para o tiro curto, com o seu time capaz de neutralizar as forças dos adversários, mas talvez explique porque o treinador ainda não conseguiu sucesso em longos períodos. Uma equipe que muda a toda hora para se adaptar ao adversário acaba sem identidade...
Tipos de contra-ataque

Meu técnico costuma dizer que no Brasil os floretistas não costumam preparar um contra-ataque com consciência. O contra-ataque vem quase que instintivo, quando se percebe algum erro do adversário.
Conversa para cá, conversa para lá, começamos a listar os diferentes tipos de contra-ataque:
Pensado- Este é o contra-ataque que o Tex costuma dizer que é raro no Brasil. Aqui, o indivíduo mexeu as pernas, fez de conta que ia sair para trás alucinado, provocou o erro do adversário e contra-atacou. A chance de ver só a tua luz acesa no aparelho é muito maior.
Cansado- Você está jogando contra aquele cara que é um animal de perna. De repente, começa um rali. Você ataca, ele para e responde, você para e contra-responde e assim por diante. As ações são cada vez mais rápidas e exaustivas. O coração já está quase saindo pela boca quando o desgraçado defende mais uma tentativa sua e sai feito um alucinado na perseguição. Seu corpo, em um pedido de misericórdia, contra-ataca para acabar com o sofrimento. Geralmente, a chance de tocar é mínima.
Lesionado- Um exemplo claro desse contra-ataque aconteceu com um adversário meu recentemente. Eu estava ganhando por 4 a 3 contra um cara forte que tinha recém machucado as costas. Na ação anterior, toquei em um ataque no qual ele tentou esquivar, mas não percebi que tinha sido para evitar uma ação mais longa. Por isso, decidi que ia chamá-lo para parar e responder. Ainda bem que meus companheiros de clube, no fundo da pista, acenaram desesperadamente indicando para que eu partisse para cima (ato completamente ilegal, por sinal). Atendendo aos apelos frenéticos, me joguei à frente e fui premiado com mais um contra-ataque de meu descontado adversário. Assim como no contra-ataque cansado, esse tipo de ação tem pouquíssima chance de sucesso.
Por cacoete- Disparado, o tipo de contra-ataque mais irritante que existe. Você já contra-atacou zilhões de vezes durante o combate e tomou a maioria dos pontos. Mas basta a menção de uma puxada de braço do adversário para que você fique hipnotizado, como uma criança que vê seu doce preferido, pela superfície válida do indivíduo. Antes de entrar em guarda, você pensa mais uma vez: "não posso mais contra-atacar", pensamento que, na maioria das vezes, é totalmente inútil.
Foto: www.boston.com
Madrugada perdida
Como eu já havia escrito aqui, um dos meus passatempos favoritos é passar madrugadas à frente do computador torcendo para o Portland Trail Blazers, meu time favorito na NBA...
Madrugada passada não foi tão diverdita assim. O querido esquadrão foi derrotado pelo Denver Nuggets, em casa, depois de liderar boa parte do jogo e perdendo lances livres cruciais nos últimos segundos. Derrota de time de guri, como é o Portland. Ao menos são guris talentosos.
O pior é o sono desnecessário do dia seguinte...
Madrugada passada não foi tão diverdita assim. O querido esquadrão foi derrotado pelo Denver Nuggets, em casa, depois de liderar boa parte do jogo e perdendo lances livres cruciais nos últimos segundos. Derrota de time de guri, como é o Portland. Ao menos são guris talentosos.
O pior é o sono desnecessário do dia seguinte...
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Bigorna parida

O Palmeiras estava com tão pouca confiança ultimamente que o primeiro tempo do jogo contra o Goiás mostrava que o líder do Brasileirão precisaria fazer o esforço equivalente ao de parir uma bigorna para marcar um gol...
E foi isso que acabou acontecendo. Como era de se esperar, depois que a porteira se abriu, a equipe de Muricy Ramalho se tranquilizou e passou a jogar o futebol que lhe deu a liderança do campeonato. Nada brilhante, mas competitivo e suficiente para dominar o jogo.
Muito melhor do que aquela equipe com os nervos à flor da pele que vimos nas últimas rodadas.
Foto: Agência Lance
Japonês voador
Para inaugurar a sessão esgrimística do blog, um combate de um dos meus floretistas preferidos. Yuki Ota, do Japão, eliminou meu parceiro João Souza nas Olimpíadas e acabou com a medalha de prata. Os vídeos a seguir são da semifinal olímpica, contra o Salvatore Sanzo, da Itália. Só observem a flecha sobre a preparação do Sanzo no quinto toque!
Início da NBA
Com essa história de trabalhar com futebol o tempo todo, acabou minha diversão de torcer. Agora, eu assisto os jogos com olhar crítico, analisando o que acontece no gramado para depois alimentar o site onde trabalho.
Muito chato, não?
Realmente, assistir a jogos de futebol perdeu um pouco da graça desde que se tornou meu trabalho. Por isso, fui procurar a graça em outro lugar, mais especificamente, na NBA.
Madrugadas em frente ao computador acompanhando o meu Portland Trail Blazers devem ser minha rotina pelos próximos seis meses. Isso porque a temporada regular começou nesta semana, já com uma vitória retumbante do meu time sobre o Houston Rockets na terça-feira.
Os favoritos de toda a mídia especializada são os Lakers, atuais campeões, os Spurs, o Cleveland Cavaliers, o Orlando Magic e o Boston Celtics. Mas com Brandon Roy e cia., ninguém segura os Blazers, ou pelo menos é o que minha visão apaixonada de torcedor, transferida do futebol, quer ver.
Só uma mostra do que o Brandon Roy pode fazer...
Muito chato, não?
Realmente, assistir a jogos de futebol perdeu um pouco da graça desde que se tornou meu trabalho. Por isso, fui procurar a graça em outro lugar, mais especificamente, na NBA.
Madrugadas em frente ao computador acompanhando o meu Portland Trail Blazers devem ser minha rotina pelos próximos seis meses. Isso porque a temporada regular começou nesta semana, já com uma vitória retumbante do meu time sobre o Houston Rockets na terça-feira.
Os favoritos de toda a mídia especializada são os Lakers, atuais campeões, os Spurs, o Cleveland Cavaliers, o Orlando Magic e o Boston Celtics. Mas com Brandon Roy e cia., ninguém segura os Blazers, ou pelo menos é o que minha visão apaixonada de torcedor, transferida do futebol, quer ver.
Só uma mostra do que o Brandon Roy pode fazer...
Muita calma nessa hora
Meus amigos gremistas, em geral, costumam babar de raiva quando falam de Autuori. A visão de que o técnico, tão vencedor, não tem o estilo do Grêmio, parece extremamente popular na torcida tricolor.
Duvido que essas questões estivessem sendo levantadas se o Grêmio ocupasse as primeiras posições do campeonato com o futebol ofensivo e de troca de passes que o treinador prega. Tudo é uma questão de resultados, portanto.
Se a diretoria gremista conseguir ignorar o clamor anti-Autuori (algo que parece difícil para estes dirigentes, como se viu na demissão absurda de Celso Roth), mantendo o treinador por um longo período, a tendência é que o Grêmio seja forte e competitivo com o estilo e o trabalho de seu comandante. Se isso acontecer, tenho certeza que toda essa discussão ficará esquecida.
Duvido que essas questões estivessem sendo levantadas se o Grêmio ocupasse as primeiras posições do campeonato com o futebol ofensivo e de troca de passes que o treinador prega. Tudo é uma questão de resultados, portanto.
Se a diretoria gremista conseguir ignorar o clamor anti-Autuori (algo que parece difícil para estes dirigentes, como se viu na demissão absurda de Celso Roth), mantendo o treinador por um longo período, a tendência é que o Grêmio seja forte e competitivo com o estilo e o trabalho de seu comandante. Se isso acontecer, tenho certeza que toda essa discussão ficará esquecida.
Para começar...
Bom, já que no meu trabalho não me deixam escrever sobre outras coisas além do futebol, está aqui um blog de muitos esportes (da minha paixão esgrima até a bolinha de gude, passando, é claro, pelo futebol)...
Para começar, um vídeo que mostra um pouco da diferença de mentalidade entre nossos torcedores e os ingleses. É um discurso do Ministro de Esportes da Inglaterra, Andy Burnham, na cerimônia dos 20 anos do desastre de Hillsborough. Para quem não sabe, 96 torcedores do Liverpool morreram em 15 de abril de 1989, esmagados pela superlotação. Desde então, várias medidas foram tomadas para que os estádios ingleses se tornassem os mais modernos e seguros do mundo.
Para quem não entendeu o que se passou, a explicação. No meio do discurso, Burnham é interrompido pelos torcedores do Liverpool, que gritam "Justiça para os 96". Desde o incidente, ninguém foi responsabilizado judicialmente, o que revolta os ingleses. Outro ponto interessante é a aparição de torcedores do Everton (de camisa azul), eterno rival do Liverpool, esquecendo a animosidade para prestar homenagem às vítimas.
Para começar, um vídeo que mostra um pouco da diferença de mentalidade entre nossos torcedores e os ingleses. É um discurso do Ministro de Esportes da Inglaterra, Andy Burnham, na cerimônia dos 20 anos do desastre de Hillsborough. Para quem não sabe, 96 torcedores do Liverpool morreram em 15 de abril de 1989, esmagados pela superlotação. Desde então, várias medidas foram tomadas para que os estádios ingleses se tornassem os mais modernos e seguros do mundo.
Para quem não entendeu o que se passou, a explicação. No meio do discurso, Burnham é interrompido pelos torcedores do Liverpool, que gritam "Justiça para os 96". Desde o incidente, ninguém foi responsabilizado judicialmente, o que revolta os ingleses. Outro ponto interessante é a aparição de torcedores do Everton (de camisa azul), eterno rival do Liverpool, esquecendo a animosidade para prestar homenagem às vítimas.
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