quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Segunda intenção

Muitas vezes, quando enfrentamos alguém que se sente confortável no fundo da pista e estamos em desvantagem no placar, não sabemos como atacar o adversário com eficiência.

O problema é que é comum pensarmos nas mais diversas maneiras de se tocar em ataque, quando o fato de nosso oponente estar no fundo da pista não impede que nossos toques sejam feitos em outros tipos de ações.

Vejam o exemplo do vídeo abaixo, que mostra os pontos decisivos da final do Challenge Paris de florete masculino deste ano, entre Richard Kruse, da Inglaterra (esquerda) e Petr Joppich, da Alemanha (direita):



Kruse pressiona seu adversário e faz ataques falsos, de segunda intenção. A princípio, sua ideia parece ser a de fazer a reprise de ataque logo após a parada de Joppich, aproveitando que o alemão costuma iniciar a ação com o braço recolhido. O primeiro ponto que aparece no vídeo é assim.

Logo depois, Joppich não deixa seu adversário o levar para o fundo da pista e ataca sobre a marcha de Kruse, que está preparado e arresta com maestria.

Mais adiante, Kruse mostra que está pressionando sem a intenção de tocar em ataque, quando fica em uma distância curta e espera o alemão sair para contra-atacar. Neste ponto, a estratégia falha, já que Joppich só não consegue o toque por ter errado a ponta e acertado na superfície não-válida.

As tentativas de segunda intenção de Kruse finalmente são notadas por Joppich no primeiro ponto do alemão que aparece neste vídeo, no qual ele para o ataque, espera o inglês fazer a reprise de ataque para parar mais uma vez e só depois responder.

Kruse perdeu o combate, mas mostrou que nem sempre a melhor estratégia para quem encurrala o adversário no fundo da pista é tocar de ataque.

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