Uma das dificuldades que os brasileiros encontram quando enfrentam os floretistas do mais alto nível é a sensação de impotência diante de adversários que gostam de "patrolar", ou seja, aquele esgrimista que sai da linha de guarda direto para a perseguição, com extrema precisão de ponta que elimina a simples entrada na preparação como alternativa.
Para buscar estratégias interessantes de "frear" este tipo de adversário, fui buscar um vídeo da semifinal do Mundial Juvenil do ano passado, entre Meinhardt e Lari. Os dois têm esta característica extremamente ofensiva, portanto ambos teriam que encontrar maneiras de se defender quando o outro tomasse a iniciativa.
- No primeiro toque do Meinhardt, dá para ver o efeito que uma simples ida à frente com um ataque falso pode fazer. Não é necessário atacar para tocar, mas só o fato de iniciar uma perseguição desperta, em um cara que gosta de estar ELE marchando para cima do adversário, a necessidade de partir para o ataque. É aí que ele pode errar o momento da ação ofensiva e atacar quando você está preparado para a parada e resposta, caso evidente do primeiro toque do americano no vídeo.
- A finta de entrada é das soluções mais clássicas. Deem uma olhada no terceiro toque do Lari (ponto 02:49 do vídeo). O Meinhardt persegue e o italiano vai rompendo até que simula (com braço e perna), que vai entrar na preparação. Meinhardt então finaliza imediatamente, facilitando a parada e resposta de Lari.
- Se uma entrada na preparação sem qualquer planejamento é suicídio, ela pode ser útil quando o jogo de pernas provoca o erro do adversário. Veja o que faz Lari no ponto 03:54 do vídeo: logo depois do reinício do combate, os dois esgrimistas dão um salto à frente. Lari então rompe a primeira vez, fazendo Meinhardt acreditar que pode iniciar sua perseguição sem ser incomodado. Aproveitando-se do braço puxado de seu adversário, o italiano surpreende e entra na preparação, algo que só foi possível por ele ter feito Meinhardt acreditar que estava em uma distância segura para iniciar a perseguição.
É claro que a diferença de nosso nível para os grandes floretistas do mundo não é causada apenas por isso, mas acho que essa é uma de nossas principais dificuldades quando saímos do circuito nacional. Aqui, podemos muitas vezes contar com os erros de ponta de nossos adversários e, com isso, não aprendemos a ir para trás sem passividade.
O segredo, na verdade, é aprender a comandar o adversário, mesmo que seja ele quem esteja indo à frente.
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